MABEL VELLOSO
Mabel Velloso e Belô Velloso
Sarau 70 Anos Mabel
Maria Bethânia, Maria Sampaio e Belô Velloso
© 2004 Teatro XVIII . Salvador . Bahia



Sarau Ernesto Nazareth
Ernesto Júlio Nazareth, nasceu no Rio de Janeiro no dia 20 de março de 1863 no Morro do Nheco onde hoje é a Cidade Nova. No dia 20 de março deste ano, completa 141 anos do seu nascimento.

Desde menino Ernesto Nazareth brincou com a música. No piano de dona Carolina Augusta sua mãe e primeira professora, aprendeu os primeiros acordes de Chopin, Mozart e Beethoven. Aprendeu também as Polcas, grande sucesso naquela época.

Dona Carolina Augusta levava o seu menino a gostar de música. Nos saraus familiares Ernesto começou a conviver com a arte musical. Com seus irmãos Vasco que tocava flauta e Nenem que cantava, Ernesto ficava ao piano para encantamento de sua mãe que pressentia no filho um bom pianista.

Aos 10 anos Ernesto Nazareth perdeu a mãe. Passou a ser educado pelo pai Vasco Lourenço da Silva Nazareth que ao sair para o trabalho deixava o pequeno Ernesto trancado em casa o dia inteiro. Sua companhia ... a música.



Sarau Radamés Gnatalli
O nosso Sarau de hoje traz um compositor brasileiro, nascido no Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre, no dia 27 de janeiro de 1906: Radamés Gnatalli. Seus pais, imigrantes italianos, eram musicistas.

Viveu a maior parte da sua vida no Rio de Janeiro onde se destacou como grande músico.
Começou a tocar piano aos 6 anos. Encantado pela música não cansava de estudar buscando também em outros instrumentos os sons que tanto o deixavam enlevado. Aprendeu também violino, cavaquinho, e guitarra.
Radamés Gnatalli aos 18 anos concluiu o curso de piano foi graduado com a medalha de ouro com seus estudos no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre.


1 - SERENATA NO JOÁ

Radamés Gnatalli, tornou-se pianista, maestro, compositor.
Estudou harmonia na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro. Foi um professor excelente que impulsionou a carreira de muitos alunos. Influenciou muitos artistas com seus ensinamentos, seu exemplo, sua orientação. Foi mestre de jovens músicos que por admirarem o professor apaixonavam-se pelas partituras, pelos acordes e estudavam com afinco. Entre seus alunos ilustres está Antonio Carlos Jobim que o admirava e declarou muitas vezes o seu enorme carinho por seu amigo Radamés Gnatalli.


2 - LEMBRANDO PIXINGUINHA
MOVIMENTO da SONATINA em RÉ MAIOR para flauta e piano


Radamés Gnatalli foi o maestro do chorinho, maestro do erudito. Maestro entre o erudito e o popular. Deu um colorido especial com seus arranjos às composições que se renovavam. Introduziu instrumentos pouco convencionais nas salas de concerto, como bandolim, marimba, acordeom harmônica de boca, violão elétrico e usava até caixa de fósforos como percursão.
Tinha uma predileção pela flauta tendo escrito diversas obras com as mais variadas combinações: Sonatina para flauta e violão; Divertimento para flauta em sol e cordas; Seresta para flauta e cordas; Suíte Brasileira para flauta, piano, bandolim, cavaquinho e três violões; Noturno para flauta, piano, guitarra, dois violinos, violoncelo e contrabaixo e muitas outras composições.
Durante os anos 30 compôs choros, sambas e valsas.
Com a sua CAMERATA viajou apresentando concertos.
Nos Estados Unidos obteve grande sucesso e chegou a ser convidado para ficar por lá, mas não aceitou o convite.
Amava o Brasil, sua gente, sua música.


3 - 1º MOVIMENTO da SONATA para violão e violoncelo

Radamés Gnatalli um dos mais representativos artistas brasileiros do século XX criou uma série de composições intitulada "Retratos", onde ele realmente retratou com notas, acordes e bela harmonia a vida de alguns dos seus amigos, fazem Parte da Suíte Retratos.
Durante anos trabalhou como pianista em cinemas e teatros. Foi violinista da Orquestra Sinfônica Villa Lobos e do Quarteto de Cordas de Henrique Oswald.
Deixou mais de 500 obras. Compunha com grande vigor. Fez um sem número de arranjos, (calcula-se que tenha feito 10.000) chegando a escrever sete arranjos num dia, mantendo sempre uma relação entre o popular e o erudito. Com o arranjo para a música Copacabana de Dick Farney foi elogiadíssimo e por conta daquele arranjo é considerado o precursor da Bossa Nova.
Vários artistas receberam influência do Maestro Radamés como Rafael Rabello, Chiquinho do Acordeon, Jacó do Bandolim, Ari Barroso, Orlando Silva e Jobin.


4 - Da SUITE RETRATOS
CHIQUINHA GONZAGA - Corta Jaca


Trabalhou como arranjador, regente e autor de trilhas sonoras para 48 longa-metragens do Cinema Nacional.
Compôs Concertos para Orquestra e instrumentos. Entre as músicas para solistas encontra-se uma composição para marimba.
Foi regente contratado da Rádio Nacional (durante 30 anos), da Rádio Excelsior e depois da TV Globo, quando se tornou conhecido nacionalmente.
Graças a Radamés Gnatalli o Rio Grande do Sul passou a ocupar um lugar de destaque no cenário musical do Brasil. O caminho estético que o Compositor Gaúcho sempre trilhou deu às Terras do Sul esse privilégio.
Radamés Gnatalli solidificou um estilo brasileiro de fazer música. Foi o compositor que mais fez interligações entre a música popular brasileira e a música erudita.


5 - 1º e 2º MOVIMENTOS da SONATINA
Em RÉ MAIOR (o 3º Movimento já ouvimos, Lembrando Pixinguinha)


Era interessado em todos os setores musicais. Estudioso e com grande amor pela música fez mudanças que deram maior beleza e força às composições brasileiras.
Inovou, criou, reinventou a maneira de tocar e reger.
Colocou saxofone e flautas nas músicas de carnaval dando mais harmonia e beleza aos blocos carnavalescos.
Com o seu trabalho na televisão divulgou a música clássica, fazendo chegar através dos aparelhos de TV espalhados pelo Brasil todos os sons desconhecidos da maioria dos brasileiros - a música erudita podia ser ouvida nas casas pobres, nas escolas públicas, nos morros, nas favelas e nas palafitas. Radamés Gnatalli trabalhou durante 11 anos na TV Globo, começou no ano de 1968.


6 - Da SUITE RETRATOS - PIXINGUINHA
Choro


Radamés Gnattali era um homem simples, sincero, bondoso, amigo de todos. Depois da sua apresentação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro foi muito elogiado pela crítica que o definiu como um "Pianista exuberante e invulgar, dotado de um temperamento apaixonado."
No ano de 1986 teve um derrame cerebral que o deixou incapacitado de trabalhar. Depois de mais de um ano na cama faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de fevereiro de 1988 aos 82 anos. Deixou um acervo de mais de 500 composições incluindo 15 sinfonias, 4 concertos para piano, 4 concertos para violino, 2 concertos para violoncelo e várias outras composições com diferentes combinações instrumentais.
Toda a obra de Radamés Gnatalli vem sendo restaurada e digitalizada. Já pode ser encontrada em CD-Rom.
Sua viúva, NellyGnatalli, entregou 280 partituras manuscritas a lápis para serem digitalizadas.
O Projeto Brasiliana - Catálogo Digital Radamés Gnatalli foi organizado por seu sobrinho Roberto Gnatalli e pela musicista Adriana Ballisté.
Radamés ocupou a Cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Música.


7 - 3º MOVIMENTO da SONATA CAMERATA

Radamés Gnatalli é considerado um dos compositores mais importantes da música brasileira pois sua obra tem um enorme valor por eliminar as barreiras entre a música erudita e a música popular.
Sua obra erudita chegou à Europa e Estados Unidos executada e gravada pela Filarmônica de Chicago, Filarmônica de Filadélfia, BBC de Londres, Filarmônica de Berlim e Rádio de Moscou.
Realizou duas turnês pela Europa com o Sexteto Radamés e em duo com o violoncelista Iberê Gomes Grosso.
Em 1979 juntou-se a um grupo de jovens que formavam o conjunto Carioquinha e que foi transformado na Camerata Carioca. Com a Camerata viajou por todo Brasil influenciando uma nova geração.
Encerrando nosso SARAU teremos uma composição de Tom Jobin dedicada a Radamés Gnatalli, e com um arranjo de Radamés.
Graça Ferreira escolheu essa composição e através de Tom Jobin dá um final bem carinhoso ao Sarau de Radamés.
Elena Rodrigues, Rita Teixeira, Raul Oliveira e Suzana Kato dirigidos por Graça nos mostraram a música de um compositor brasileiro que precisa ser mais conhecido, reconhecido e admirado porque sempre derramou nas suas composições todo o som do seu amor às coisas brasileiras.
Teremos agora Meu Amigo Radamés, no título a síntese da amizade dos dois grandes compositores brasileiros, a retribuição de Tom Jobin ao amigo Radamés Gnatalli que compôs Meu amigo Tom Jobim, e tom compôs Meu Amigo Radamés.



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