Lápis de Cor
© 1992 Editora Independente
Era uma vez uma caixa de lápis de cor.
Caixa pequena com apenas seis cores espremidas em pedacinhos de madeira,
escondidos numa caixa novinha e bonita. O menino guardava para levar para a Escola.
Nas pontas do dedos daquele Menino corria uma vontade de abrir a caixinha,
tirar os lápis, pintar os papéis. Mas a sua mamãe tinha falado: guarde para o
primeiro dia de aula.
O menino era obediente. Apesar da vontade que corria nos seus dedos, guardou os
seus lápis de cor. Encostado na cama, o menino contou os dias que faltavam
para o início das aulas: um, dois, três... Édez... Équinze... É...
O lápis azul botou a pontinha de fora e gritou: Não fique aí contando os dias.
Venha brincar com a gente! Aqui as coisas são coloridas !
O Lápis vermelho tomou a frente do verde e do amarelo e gritou forte: Menino, venha
conhecer o nosso Pai. Ele gosta muito de criança !
O preto muito sisudo, ficou com a ponta bem fina observando tudo e falou: papai
Arco-Iris é muito alegre.
O marrom escondido aguardava o resultado daquela conversa.
O verde e o amarelo riam alto e pediam: Venha ! Venha pintar com a gente !
O menino levantou ligeiro e olhou seu short tão desbotado. Com aquela roupa não podia sair.
Os novos amigos tinham roupas tão vistosas ! Com a mãozinha o Menino fez um gesto que dizia:
esperem vou trocar o calção.
O lápis gritaram em coro. Não precisa; Você está bem assim ! Venha logo !
O Menino correu ao encontro dos coloridos amigos, saíram pintando o sete:
O Menino, o Azul, o verde, o amarelo, o vermelho, o preto e o marrom.
Correram pela calçada e nos muros, nas paredes, riscavam flores e borboletas e
tudo em volta se enchia de cor e alegria. Passaram na praça e pintaram o coreto.
Jogaram nos cantos notas de cor para dar àquele ambiente um tom de beleza
para as noites de festa. Desceram as ladeiras pintando os passeios.
Vários caracóis de toda as cores cobriam a calçada. Nos postes riscaram sóis
bem alegres de olhos brilhantes.
Em cada janela pintaram uma moça com uma flor no cabelo. Correram para o rio.
Em cima da ponte pintaram barquinhos e muitas gaivotas.
O menino sorria na doce alegria de ver tanta cor! Os lápis corriam pintando em redor.
Pra todos os lados os tons misturados levavam a beleza que o Pai Arco-iris
jogara nos filhos.
O Menino contente com seus amiguinhos assim colorindo aquela manhã, pulava e
cantava quando a mamãe gritou o seu nome. O Menino desperta e olha assustado a
caixa de lápis no sonho rasgada mas fica tranqüilo: a sua caixinha estava inteirinha.
O menino sorri e atende a mãe que olha espantada e procura saber: - Filho, por que
sua roupa está toda riscada com listras de cor ?